Morre Guerrinha, um dos maiores comunicadores do Rio Grande do Sul, aos 70 anos

Adroaldo Guerra Filho construiu uma trajetória de mais de cinco décadas no jornalismo e marcou gerações com seu humor, suas opiniões contundentes e suas frases inesquecíveis.

O jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul está de luto. Morreu nesta quarta-feira (28), aos 70 anos, Adroaldo Guerra Filho, conhecido popularmente como Guerrinha. Referência na comunicação gaúcha, o jornalista estava internado no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, após sofrer uma infecção pulmonar que evoluiu para um quadro generalizado.

Com uma carreira de mais de cinco décadas, Guerrinha se tornou um dos nomes mais conhecidos do jornalismo esportivo do estado. Sua personalidade irreverente, o bom humor e as análises diretas conquistaram ouvintes, leitores e telespectadores, independentemente da preferência clubística.

A notícia representa uma perda importante para a imprensa gaúcha, especialmente para o rádio esportivo, onde o comunicador construiu uma identidade própria e se tornou uma das figuras mais marcantes do tradicional programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha.

Uma carreira construída ao longo de décadas

Formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Guerrinha iniciou sua trajetória profissional na década de 1970, trabalhando com a cobertura de turfe, uma de suas grandes paixões.

Ao longo da carreira, passou por veículos como Folha da Manhã e Correio do Povo. Em 1983, retornou ao Grupo RBS, onde começou a escrever sobre corridas de cavalos para Zero Hora.

Na década de 1990, passou a se dedicar ao futebol, especialmente à cobertura do Internacional, clube do qual era torcedor declarado.

A transição para o rádio aconteceu em 1999, quando participou do programa Falcão na Gaúcha, ao lado do ex-jogador Paulo Roberto Falcão. Mais tarde, também ganhou espaço na televisão e ampliou sua presença entre os principais nomes da comunicação esportiva do estado.

Guerrinha virou símbolo do Sala de Redação

Um dos capítulos mais importantes de sua trajetória começou em 2004, quando foi chamado para substituir temporariamente Kenny Braga no Sala de Redação. A participação, que inicialmente seria provisória, acabou se transformando em uma longa história de sucesso.

Com opiniões firmes, tiradas irônicas e frases que se tornaram parte do vocabulário dos torcedores, Guerrinha conquistou espaço na bancada do programa.

Seu estilo misturava análise esportiva e humor, tornando os debates sobre futebol mais descontraídos sem perder a capacidade de provocar discussões.

Entre suas expressões mais conhecidas estavam “Não dá pra servir farofa em restaurante com ventilador de teto” e “Não se pode ir pra guerra com um secador de cabelo”. As frases sintetizavam sua maneira particular de comentar situações do cotidiano esportivo.

Colorado assumido, respeitado por gremistas e colorados

Guerrinha nunca escondeu sua paixão pelo Internacional. Mesmo assim, sua atuação profissional conquistou admiradores entre torcedores de diferentes clubes, inclusive gremistas.

A personalidade marcante e a capacidade de transformar acontecimentos do futebol em histórias divertidas ajudaram a construir uma relação especial com o público.

Ao longo dos anos, participou de momentos importantes da cobertura esportiva gaúcha e acompanhou de perto diferentes gerações de jogadores, treinadores e dirigentes.

Sua ligação com o Inter também ficou registrada em momentos históricos do clube, incluindo a repercussão da conquista do Mundial de Clubes de 2006.

Clubes e entidades lamentam a morte

A morte de Guerrinha provocou manifestações de pesar no futebol gaúcho. Internacional, Grêmio e Juventude homenagearam o comunicador, destacando sua contribuição ao esporte e sua importância para a história da imprensa do estado.

A Federação Gaúcha de Futebol também publicou uma nota de pesar, reconhecendo sua trajetória e o legado deixado para a comunicação esportiva.

O Grupo RBS, onde trabalhou por 43 anos, lamentou profundamente a perda e ressaltou o carisma, o bom humor e o respeito que o jornalista mantinha com o público e os colegas de profissão.

Um legado que permanecerá na memória do futebol gaúcho

Guerrinha deixa a esposa, Kathia, as filhas Michelle e Karine e três netos.

Sua história ultrapassa os limites das redações e dos estúdios de rádio. Ao longo de décadas, tornou-se uma voz familiar para milhares de pessoas que acompanhavam diariamente as notícias e os debates sobre o futebol gaúcho.

Mais do que um comentarista, Guerrinha foi um personagem singular da comunicação brasileira, reconhecido por sua espontaneidade, suas histórias e sua maneira inconfundível de enxergar o esporte.

O futebol do Rio Grande do Sul perde uma de suas vozes mais características. Suas frases, seu humor e sua paixão pelo jornalismo, porém, continuarão presentes na memória de quem acompanhou sua trajetória.

Obrigado por tantas histórias, Guerrinha. Sua voz fará falta ao rádio e ao futebol gaúcho.

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